Alguns
pesquisadores dizem que o Movimento Hip
Hop surgiu nos guetos dos Estados
Unidos da América, a partir da união de diferentes expressões
artísticas. Aos poucos foram incorporadas ao ambiente urbano de Nova
Iorque, na passagem dos anos 60 para os anos 70. Nesse período, os
E.U.A. passavam por intensas discussões sobre os direitos humanos,
por causa da marginalização de negros e latinos na sociedade de
Nova Iorque. Os líderes da comunidade
negra procuraram disseminar o direito e
a igualdade social entre negros e brancos, pelo respeito racial entre
si, contra a segregação racial e a violência com a população
negra.
A
palavra Hip Hop é
de origem estadunidense, e significa “saltar movimentando os
quadris” (Hip:
Saltar; Hop:
movimentando os quadris). O termo foi criado pelo DJ Afrika
Bambaataa, fundador da organização Zulu Nation. Foi um dos
fundadores da organização Zulu Nation, no Bronx, Nova Iorque, em 12
de Novembro de 1973. Sua intenção era a união entre negros, jovens
e pobres desfavorecidos dessa comunidade. Essa organização
realizava festas com a intenção de diminuir as brigas e as
confusões entre os jovens de diferentes gangues. Realizavam também
alguns projetos sociais como campanhas de agasalho, arrecadavam
comida, etc. Bambaataa idealizou a união dos elementos do Hip
Hip, o Break (dança),
o Graffiti (artes
visuais), o DJ (a
música)e
o MC (o
cantor – RAP). Pois,
faziam parte do mesmo universo cultural, por incorporarem um caráter
de protesto.
Os
anos 60 para os negros dos E.U.A foram um tempo de muitas batalhas e
confrontos com a polícia. Foi nesse contexto que o Movimento Hip
Hop se originou, agrupando diversas práticas culturais que
tinham um objetivo em comum, fazer críticas a estrutura social.
Essas práticas estão associadas a elementos da música e de
expressão corporal. O ponta pé, inicialmente foi com o jazz, na
década de 50. Aconteceu uma expansão e diversificação de estilos,
colocando os jovens como produtores musicais, na década de 70, por
meio do RAP.
A
segunda metade do século XX foi um período de intensos conflitos,
principalmente articulados por grupos de jovens. A causa de muitas
revoltas foi a Guerra do Vietnã (1965-1975). A maioria dos soldados
recrutados para a linha de frente era de origem negra e latina.
Este
ambiente influenciou bastante os precursores do Movimento Hip
Hop. Uma das formas de expressar a indignação foi através do
Break. Muitos movimentos preservados ainda hoje, refletem o
corpo debilitado dos soldados que retornavam das guerras, ou então a
recordação de um objeto utilizado no confronto. (MARTINS, s/d).
(DESENHO:
O Giro de Cabeça (Head Spin) – simboliza os helicópteros
utilizados durante a guerra do Vietnã).
Você
sabe como e quando o movimento Hip Hop chegou ao Brasil?
No
Brasil, a introdução da cultura Hip
Hop se deu durante o Regime Militar
(1964-1985). Nesse período, ocorreu a proliferação de “bailes
black”
nas periferias dos grandes centros urbanos, especialmente em São
Paulo. Embalados pela música negra estadunidense, milhares de jovens
se reúnem nos bailes de final de semana, frequentados principalmente
por jovens negros e pobres em sua maioria. (DAYRREL, 2002)
Quando
o Movimento Hip Hop começa
a ser difundido, grandes empresários e algumas esferas do governo
sentem-se incomodados com a repercussão desse movimento. Um reflexo
desse incômodo se deu através da mídia, que se apropriou do Hip
Hop massificando essa cultura
popular, fato que possibilitou sua maior difusão, especialmente em
revistas e jornais. Para a massificação da cultura popular foi
preciso extrair do movimento as atitudes de protestos e a luta
racial, substituindo por elementos mais simples, acessíveis e
desejáveis a todos, como dinheiro, status, sexo e drogas.
Ao
ser apropriado pela mídia e transformado em uma cultura de massa, o
Movimento Hip Hop foi marginalizado e criminalizado, pois não
era interessante dos brancos permitirem que uns grupos de pessoas
negras disseminassem um discurso crítico sobre a realidade social. As pessoas que não tinham contato mais próximo com esse movimento de luta e resistência social, entendiam que o Movimento Hip Hop era constituído por criminosos, bandidos, assassinos e usuários de drogas, pois era essa imagem transmitida pelos meios de comunicação. Esse tratamento, dado principalmente pela mídia, se estende até os dias atuais, pois convivemos com uma censura que se encarrega de transformar fatos corriqueiros em grandes feitos político-administrativos dos governantes ou de omitir e maquiar fatos desabonadores de sua imagem. “É a mídia transformando a política em espetáculo, usando para isso os novos meios tecnológicos e do campo da informática para produzir efeitos considerados desejáveis pelos detentores políticos e econômicos do poder.” (PEDROSO, 2001, p. 55).
Contudo, o movimento expressava, através de seus elementos, a realidade principalmente da grande periferia. Por ter um caráter de
reivindicação social, o Movimento Hip Hop preocupavam-se com
a formação política de seus participantes e da sociedade. Nesse
sentido, a busca pelo conhecimento faz parte de seu compromisso, pois
procuravam compreender como se estruturam as relações sociais.
Não
podemos negar que a classe dominante, isto é, os grandes empresários
e detentores do poder social, político e econômico, tem condições
de monopolizar os meios de produção e, portanto, de comunicação.
Dessa forma, possuem certa autonomia para direcionar as ideias e os
posicionamentos que as pessoas têm sobre a realidade. Pois,
atualmente, sabemos que é pelos Meios de Comunicação Social (MCS),
isto é, rádio, TV, jornais, internet e outros, que temos uma
referência sobre o mundo, que conhecemos e visualizamos outras
culturas, que temos contato com o que existem com o que se publica ou
com o que se faz.
Por
causa dessa indústria midiática, que atualmente, quando se ouve
falar em Hip Hop,
é comum esta manifestação cultural estar associada a drogas,
criminalidade, as
marcas de roupa, joias, entre outros, pois estas são formas de
transformar uma cultura popular, e um movimento social de
resistência, em mercadoria.
No
entanto, com o passar dos anos o próprio Movimento Hip
Hop conseguiu encontrar umas
‘brechas’ para difundir seu real interesse, e algumas pessoas
começaram a entender, respeitar, escutar o som criado por seus
integrantes. Um exemplo disso são as posses, isto é, grupos que
congregam rappers, graffiteiros e
breakers de uma mesma região. Estes
grupos estão envolvidos em atividades artísticas, de ação
comunitária e de formação política, comprometidos com a cultura
do Hip Hop.
Muitos destes grupos também estão envolvidos com entidades de
movimentos negros, sindicatos, partidos políticos, palestras,
apresentações teatrais etc.
Os
integrantes desse grupo repudiam a mercantilização do Hip Hop,
isto é, transformá-lo num simples produto para ser vendido por
empresas que comercializam roupas, músicas e organizam shows. Uma
das formas de resistir a esse processo se expressa na criação de
linguagens próprias. Por exemplo: integrantes do Movimento Hip
Hop inventaram o termo “Hip Roupa”, para definir as pessoas
que tem o hábito de utilizar roupas de marcas associadas ao Hip
Hop, mas que desconhecem o significado deste enquanto movimento
social. Outra forma de resistência está na difusão do Movimento
Hip Hop através das Rádios Comunitárias, que divulgam
músicas e ações sociais realizadas junto a comunidade, mostrando
uma visão muito diferente da que vem sendo trazida pelos grandes
meios de comunicação.
Diante
dessa realidade, muitos grupos comprometidos com a luta social se
recusam a se inserir em determinados espaços da mídia, por
acreditar que estes acabam por limitar e até distorcer os sentidos
efetivos dos movimentos de resistência. Será que seria uma das
razões pela qual o grupo musical Racionais MC se recusam a aparecer
na televisão?
Os elementos do hip-hop.
O Hip
Hop é
considerado um movimento que envolve elementos distintos: o RAP
(MC
+
DJ),
o Break
e
o Graffiti.
A união desses elementos configurou, historicamente, um movimento
cujo objetivo é criticar uma situação social desfavorável e
mobilizar a sociedade para lutar por uma mudança principalmente de
consciência. Vamos conhecer um
pouco mais sobre cada um deles?
1.
DJ (disc jockey) – responsável pela base
instrumental. O DJ utiliza ferramentas tecnológicas para produzir a
base da música do hip-hop, como picapes (os antigos
toca-discos), o mixer para realizar manobras e sintetizadores.
2.
MC (mestre de cerimônias) – responsável pela condução
do som e da festa. Assume o controle do microfone e agita o público.
3.
Grafite – (ou graffiti , como preferem os grafiteiros) são desenhos e escritas feitos em muros.
4.
Rap – gênero musical.
5.
Gíria – dialeto da periferia contido nas letras das
músicas, nos muros e no corpo.
6.
Beatboxing – são os DJs que criam o som usando a
boca como instrumento.
7.
Streetball – o
basquete de ruaque
integra o universo hip-hop por meio da vestimenta de seus praticantes
(camisas largas), do local onde os movimentos são ensaiados (ruas e
parques) e da trilha sonora presente nas partidas (rap).
8.
Breaking – expressão corporal do hip-hop
representado por b.boy e b.girl.
Uma
das constatações que podemos fazer é que a realidade sobre do
movimento Hip
Hop
apresenta inúmeras contradições, quando analisamos suas diferentes
formas de existir socialmente, desde o seu surgimento até os dias
atuais. Ou seja, percebemos que este movimento surgiu com um
propósito de resistência, mas ao longo dos anos foram dadas novas
roupagens a ele, passando a aderir inclusive aos modelos de consumo e
de mercado vigentes. O
Movimento Hip
Hop
precisa ser entendido nas
suas contradições, pois, da mesma forma que a cultura do Hip
Hop
influencia a sociedade, esta também influencia o Hip
Hop.
Bibliografia:
ANGULSKI,
Cíntia Müller; FIDALGO, Mario Cerdeira; NAVARRO, Rodrigo
Tramutolo. Hip – hop – movimento
de resistência ou consumo? In: Vários
Autores. Educação Física. Curitiba: SEED – PR, 2006.Pg.
227 a 246.
OKIMURA-KERR,
Tiemi; ULASOWICZ, Carla;
MERIDA,
Fernanda
Vieira (et
al). Universo
Hip Hop.
Se liga na Educação Física, 7º ano: manual do professor. 1º ed.
São Paulo: Moderna, 2022. Pg. 40 a 53.
a)
O que mais chamou sua atenção nessas imagens? Por quê?
b)
Você reconhece os movimentos representados nas imagens? Em caso
positivo, fale o que sabe para os colegas. Se você nunca viu tais
movimentos, reflita: qual é o principal desafio desse gesto de
dança?
c)
O que você sente quando dança?
d)
Por que as pessoas dançam?
Na
imagem 1 é um dançarino em movimento de giro de cabeça (headspin).
Divulgação do
evento Breaking de Verão 2022, na cidade do Rio de Janeiro (RJ). Na
imagem 2 é um rapaz, em movimento ritmado, dançando break.
[S. l.], 2010.
Os
dançarinos de break das imagens utilizam roupas que
simbolizam seu lugar de pertencimento e sua identidade juvenil. Isso
pode significar que eles traduzem na dança sua origem da periferia e
se identificam com outras pessoas que fazem parte dessa realidade.
Será que a dança podem ser como uma marca de identidade de um povo?
Como?
Por
dentro do tema
Título:
A resistência cultural no universo hip-hop
O
hip-hop é
uma manifestação cultural, social e educativa, praticada no começo
de sua criação pela juventude negra e latina das periferias dos
centros urbanos. Surgido no Bronx, bairro da cidade de Nova York, nos
Estados Unidos, final dos anos 1960 e início dos anos 1970, o
movimento espalhou-se por diferentes partes do mundo.
Segundo
Barrios, Nunes e Schwartz (2018, p. 8-9), o hip-hop
é um movimento de resistência por
buscar constantemente visibilidade, tanto por meio de denúncias
sociais, expressas pela arte com o grafite e o gênero musical rap,
como pela ocupação de locais considerados de elite (teatros,
boates) pelos grupos de dança, com gestos e movimentos que
representam sua história e cultura.
Esses
autores ressaltam que a cultura do hip-hop procura
romper barreiras e lutar por um espaço dentro da sociedade, mas sua
imagem é prejudicada por abordagens generalistas por parte dos
veículos de comunicação de massa. Os receptores aceitam um padrão
superficial da mídia e estereótipos são tomados como verdade pela
sociedade. Com isso, restringe-se a cultura do hip-hop às
suas origens na periferia, o que reforça preconceitos relacionados
aos grupos marginalizados em razão de suas vestimentas e pela
maneira como os cantores de rap e os dançarinos de breaking
são vistos.
O
jamaicano Clive Campbell, conhecido como DJ Kool Herc, sua irmã
Cindy e o estadunidense Afrika Bambaataa são considerados os
fundadores do movimento hip-hop,
ao lado de outros músicos, grafiteiros e breakers,
gerando os chamados elementos do universo desse gênero. Santos
(2017) afirma que os elementos do hip-hop
são essenciais para a definição
do significado e do alcance dessa manifestação cultural. Segundo a
autora, tais elementos podem ser assim definidos:
1.
DJ (disc jockey) – responsável pela base
instrumental. O DJ utiliza ferramentas tecnológicas para produzir a
base da música do hip-hop, como picapes (os antigos
toca-discos), o mixer para realizar manobras e sintetizadores.
2.
MC (mestre de cerimônias) – responsável pela condução
do som e da festa. Assume o controle do microfone e agita o público.
3.
Grafite – (ou graffiti , como preferem os grafiteiros) são desenhos e escritas feitos em muros.
4.
Rap – gênero musical.
5.
Gíria – dialeto da periferia contido nas letras das
músicas, nos muros e no corpo.
6.
Beatboxing – são os DJs criam o som usando a
boca como instrumento.
7.
Streetball – o basquete de rua é um tema que
integra o universo hip-hop por meio da vestimenta de seus
praticantes (camisas largas), do local onde os movimentos são
ensaiados (ruas e parques) e da trilha sonora presente nas partidas
(rap). Desde 2021, o streetball é modalidade olímpica.
8.
Literatura marginal – gênero literário que apresenta o
cotidiano da periferia por meio de autores e autoras periféricos e,
na sua maioria, do universo hip-hop. A literatura marginal
brasileira tem como um de seus principais representantes o rapper
Ferréz, premiado autor em festivais internacionais e nacionais
com sua escrita contestadora.
9.
Breaking –
expressão corporal do hip-hop
representado por b.boy
e b.girl.
No Brasil, o hip-hop chegou
por intermédio do cinema, com a exibição dos filmes Breakin’
(dir. Joel Silberg, 1984, 90 min) e
Beat Street (A
loucura do ritmo; dir. Stan Lathan, 1984, 105 min).
Os primeiros integrantes do hip-hop
assistiram aos filmes em 1985 e
começaram a reproduzir os movimentos nas praças públicas dos
centros das cidades de São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre e
Salvador, agregando pessoas e ensinando
uns aos outros.
Os
elementos culturais das danças urbanas
No
final dos anos 1960, o estadunidense James Brown (1933-2006) criou um
ritmo que influenciou a dança de rua: o soul.
Mais tarde, o funk,
a música disco e
o rap se
somaram ao movimento hip-hop.
Ele foi o responsável por disseminar uma atitude, uma forma de ser,
de se vestir, de dançar no palco de maneira solta, que permitia a
criação e a execução de passos de dança, possibilitando a
qualquer pessoa tentar refazê-los.
A
ascensão do universo hip-hop propiciou o surgimento e
a veiculação da dança urbana. Porém, a denominação “danças
urbanas” só ganhou projeção a partir da década de 1980, com o
início do advento da globalização. Outra denominação adotada
pelos praticantes é street dance, ou dança de rua, explicada
em parte pela origem e em parte por sua informalidade e ser praticada
fora das academias de dança.
Há
danças urbanas estadunidenses com diferentes estilos de vestimenta,
música e atitudes. São elas: Funk Boogaloo , Robot ,
Zig-Zag , Locking , Crossover Locking , Popping ,
Punking , Jacking , Rocking , B. Boying ,
Freestyle , House Dance , Clowning e Krump .
Entretanto,
as danças urbanas trazem um conceito mais amplo, criado e difundido
nas periferias dos centros urbanos, sem se limitar àquelas
provenientes dos Estados Unidos. Nesse gênero se inclui, por
exemplo, a jamaicana Dance Hall. Existem várias técnicas a
serem praticadas no contexto das danças urbanas.
Na
cultura brasileira, há diferentes ritmos presentes em todo o
território nacional, apreciados no país e em outros lugares do
mundo. Nos
gêneros musicais mais utilizados para dançar o Hip-Hop
Dance, eles
combinam a musicalidade com o ritmo mais dançante, a harmonia e a
vivacidade, tão
necessárias para esse tipo de dança, como,
o
-
Pop (Estados Unidos, 1950): é eclético e agrega
diferentes gestos e movimentos mais dançantes e de grande apelo
comercial. Exemplos: Beyoncé e Anitta.
-
Funk carioca (Brasil, 1980): tem o mesmo
nome de um gênero originário dos Estados Unidos (funk), mas
ganhou características próprias nos morros cariocas e provoca muita
polêmica em razão de suas letras. Exemplos: Ludmilla e MC Kevin.
-
R&B (rhythm and blues): gênero estadunidense
com fortes ramificações na diáspora africana e influência de soul
music. Exemplo: Alycia Keys.
-
Rap (fim dos anos 1970): tornou-se um dos
principais gêneros de resistência e denúncia das periferias em
todo o mundo. Exemplos: Racionais MC‘s e MV Bill.
-
Hip-hop dance/Hip-hop freestyle –
movimentos mais livres, sem muitas poses e acrobacias (sem
referências ao local de origem). Principais colaboradores são
Buddha Stretch e Scoob.
-
Passinho – movimentos rápidos com as pernas e o quadril.
Criado nas comunidades da cidade do Rio de Janeiro, ganhou
visibilidade na mídia e, desde 2018, é patrimônio cultural do
município.
-
K-Pop (Coreia
do Sul): caracteriza-se por letras românticas e uma grande variedade
de ritmos e elementos audiovisuais. Exemplo: grupo BTS.
Referência
bibliográfica:
OKIMURA-KERR,
Tiemi; ULASOWICZ, Carla;
MERIDA,
Fernanda
Vieira (et
al). Universo
Hip
Hop.
Se liga na Educação Física, 7º ano: manual do professor. 1º ed.
São Paulo: Moderna, 2022. Pg. 40 a
53.
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