domingo, 16 de agosto de 2026

A resistência cultural no universo hip-hop

De olho nas imagens:

a) O que mais chamou sua atenção nessas imagens? Por quê?

b) Você reconhece os movimentos representados nas imagens? Em caso positivo, fale o que sabe para os colegas. Se você nunca viu tais movimentos, reflita: qual é o principal desafio desse gesto de dança?

c) O que você sente quando dança?

d) Por que as pessoas dançam?

Na imagem 1 é um dançarino em movimento de giro de cabeça (headspin). Divulgação do evento Breaking de Verão 2022, na cidade do Rio de Janeiro (RJ). Na imagem 2 é um rapaz, em movimento ritmado, dançando break. [S. l.], 2010.

Os dançarinos de break das imagens utilizam roupas que simbolizam seu lugar de pertencimento e sua identidade juvenil. Isso pode significar que eles traduzem na dança sua origem da periferia e se identificam com outras pessoas que fazem parte dessa realidade. Será que a dança podem ser como uma marca de identidade de um povo? Como?

Por dentro do tema

Título: A resistência cultural no universo hip-hop

O hip-hop é uma manifestação cultural, social e educativa, praticada no começo de sua criação pela juventude negra e latina das periferias dos centros urbanos. Surgido no Bronx, bairro da cidade de Nova York, nos Estados Unidos, final dos anos 1960 e início dos anos 1970, o movimento espalhou-se por diferentes partes do mundo.

Segundo Barrios, Nunes e Schwartz (2018, p. 8-9), o hip-hop é um movimento de resistência por buscar constantemente visibilidade, tanto por meio de denúncias sociais, expressas pela arte com o grafite e o gênero musical rap, como pela ocupação de locais considerados de elite (teatros, boates) pelos grupos de dança, com gestos e movimentos que representam sua história e cultura.

Esses autores ressaltam que a cultura do hip-hop procura romper barreiras e lutar por um espaço dentro da sociedade, mas sua imagem é prejudicada por abordagens generalistas por parte dos veículos de comunicação de massa. Os receptores aceitam um padrão superficial da mídia e estereótipos são tomados como verdade pela sociedade. Com isso, restringe-se a cultura do hip-hop às suas origens na periferia, o que reforça preconceitos relacionados aos grupos marginalizados em razão de suas vestimentas e pela maneira como os cantores de rap e os dançarinos de breaking são vistos.

O jamaicano Clive Campbell, conhecido como DJ Kool Herc, sua irmã Cindy e o estadunidense Afrika Bambaataa são considerados os fundadores do movimento hip-hop, ao lado de outros músicos, grafiteiros e breakers, gerando os chamados elementos do universo desse gênero. Santos (2017) afirma que os elementos do hip-hop são essenciais para a definição do significado e do alcance dessa manifestação cultural. Segundo a autora, tais elementos podem ser assim definidos:

1. DJ (disc jockey) – responsável pela base instrumental. O DJ utiliza ferramentas tecnológicas para produzir a base da música do hip-hop, como picapes (os antigos toca-discos), o mixer para realizar manobras e sintetizadores.

2. MC (mestre de cerimônias) – responsável pela condução do som e da festa. Assume o controle do microfone e agita o público.

3. Grafite – (ou graffiti , como preferem os grafiteiros) são desenhos e escritas feitos em muros.

4. Rap – gênero musical.

5. Gíria – dialeto da periferia contido nas letras das músicas, nos muros e no corpo.

6. Beatboxing – são os DJs criam o som usando a boca como instrumento.

7. Streetball – o basquete de rua é um tema que integra o universo hip-hop por meio da vestimenta de seus praticantes (camisas largas), do local onde os movimentos são ensaiados (ruas e parques) e da trilha sonora presente nas partidas (rap). Desde 2021, o streetball é modalidade olímpica.

8. Literatura marginal – gênero literário que apresenta o cotidiano da periferia por meio de autores e autoras periféricos e, na sua maioria, do universo hip-hop. A literatura marginal brasileira tem como um de seus principais representantes o rapper Ferréz, premiado autor em festivais internacionais e nacionais com sua escrita contestadora.

9. Breaking – expressão corporal do hip-hop representado por b.boy e b.girl. No Brasil, o hip-hop chegou por intermédio do cinema, com a exibição dos filmes Breakin’ (dir. Joel Silberg, 1984, 90 min) e Beat Street (A loucura do ritmo; dir. Stan Lathan, 1984, 105 min). 

Os primeiros integrantes do hip-hop assistiram aos filmes em 1985 e começaram a reproduzir os movimentos nas praças públicas dos centros das cidades de São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre e Salvador, agregando pessoas e ensinando uns aos outros.

Os elementos culturais das danças urbanas

No final dos anos 1960, o estadunidense James Brown (1933-2006) criou um ritmo que influenciou a dança de rua: o soul. Mais tarde, o funk, a música disco e o rap se somaram ao movimento hip-hop. Ele foi o responsável por disseminar uma atitude, uma forma de ser, de se vestir, de dançar no palco de maneira solta, que permitia a criação e a execução de passos de dança, possibilitando a qualquer pessoa tentar refazê-los.

A ascensão do universo hip-hop propiciou o surgimento e a veiculação da dança urbana. Porém, a denominação “danças urbanas” só ganhou projeção a partir da década de 1980, com o início do advento da globalização. Outra denominação adotada pelos praticantes é street dance, ou dança de rua, explicada em parte pela origem e em parte por sua informalidade e ser praticada fora das academias de dança.

Há danças urbanas estadunidenses com diferentes estilos de vestimenta, música e atitudes. São elas: Funk Boogaloo , Robot , Zig-Zag , Locking , Crossover Locking , Popping , Punking , Jacking , Rocking , B. Boying , Freestyle , House Dance , Clowning e Krump .




Entretanto, as danças urbanas trazem um conceito mais amplo, criado e difundido nas periferias dos centros urbanos, sem se limitar àquelas provenientes dos Estados Unidos. Nesse gênero se inclui, por exemplo, a jamaicana Dance Hall. Existem várias técnicas a serem praticadas no contexto das danças urbanas.

Na cultura brasileira, há diferentes ritmos presentes em todo o território nacional, apreciados no país e em outros lugares do mundo. Nos gêneros musicais mais utilizados para dançar o Hip-Hop Dance, eles combinam a musicalidade com o ritmo mais dançante, a harmonia e a vivacidade, tão necessárias para esse tipo de dança, como, o

- Pop (Estados Unidos, 1950): é eclético e agrega diferentes gestos e movimentos mais dançantes e de grande apelo comercial. Exemplos: Beyoncé e Anitta.

- Funk carioca (Brasil, 1980): tem o mesmo nome de um gênero originário dos Estados Unidos (funk), mas ganhou características próprias nos morros cariocas e provoca muita polêmica em razão de suas letras. Exemplos: Ludmilla e MC Kevin.

- R&B (rhythm and blues): gênero estadunidense com fortes ramificações na diáspora africana e influência de soul music. Exemplo: Alycia Keys.

- Rap (fim dos anos 1970): tornou-se um dos principais gêneros de resistência e denúncia das periferias em todo o mundo. Exemplos: Racionais MC‘s e MV Bill.

- Hip-hop dance/Hip-hop freestyle – movimentos mais livres, sem muitas poses e acrobacias (sem referências ao local de origem). Principais colaboradores são Buddha Stretch e Scoob.

- Passinho – movimentos rápidos com as pernas e o quadril. Criado nas comunidades da cidade do Rio de Janeiro, ganhou visibilidade na mídia e, desde 2018, é patrimônio cultural do município.

- K-Pop (Coreia do Sul): caracteriza-se por letras românticas e uma grande variedade de ritmos e elementos audiovisuais. Exemplo: grupo BTS.


Referência bibliográfica:

OKIMURA-KERR, Tiemi; ULASOWICZ, Carla; MERIDA, Fernanda Vieira (et al). Universo Hip Hop. Se liga na Educação Física, 7º ano: manual do professor. 1º ed. São Paulo: Moderna, 2022. Pg. 40 a 53.

--> Vídeo 1: Perfil Aprendi lá, autor professor Wagner - título: DANÇAS URBANAS - Streete Dance - O que são? 

Link: DANÇAS URBANAS - Streete Dance - O que são?


--> Vídeo 2: Perfil da Tríade Escola de Arte, título do vídeo "
O Que Significa Danças Urbanas? | Video Pesquisa" 

Link: <https://youtu.be/5LhYYN4ZouI?si=dezIH4altuzmCO-1>  



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