a)
O que mais chamou sua atenção nessas imagens? Por quê?
b)
Você reconhece os movimentos representados nas imagens? Em caso
positivo, fale o que sabe para os colegas. Se você nunca viu tais
movimentos, reflita: qual é o principal desafio desse gesto de
dança?
c)
O que você sente quando dança?
d)
Por que as pessoas dançam?
Na
imagem 1 é um dançarino em movimento de giro de cabeça (headspin).
Divulgação do
evento Breaking de Verão 2022, na cidade do Rio de Janeiro (RJ). Na
imagem 2 é um rapaz, em movimento ritmado, dançando break.
[S. l.], 2010.
Os
dançarinos de break das imagens utilizam roupas que
simbolizam seu lugar de pertencimento e sua identidade juvenil. Isso
pode significar que eles traduzem na dança sua origem da periferia e
se identificam com outras pessoas que fazem parte dessa realidade.
Será que a dança podem ser como uma marca de identidade de um povo?
Como?
Por
dentro do tema
Título:
A resistência cultural no universo hip-hop
O
hip-hop é
uma manifestação cultural, social e educativa, praticada no começo
de sua criação pela juventude negra e latina das periferias dos
centros urbanos. Surgido no Bronx, bairro da cidade de Nova York, nos
Estados Unidos, final dos anos 1960 e início dos anos 1970, o
movimento espalhou-se por diferentes partes do mundo.
Segundo
Barrios, Nunes e Schwartz (2018, p. 8-9), o hip-hop
é um movimento de resistência por
buscar constantemente visibilidade, tanto por meio de denúncias
sociais, expressas pela arte com o grafite e o gênero musical rap,
como pela ocupação de locais considerados de elite (teatros,
boates) pelos grupos de dança, com gestos e movimentos que
representam sua história e cultura.
Esses
autores ressaltam que a cultura do hip-hop procura
romper barreiras e lutar por um espaço dentro da sociedade, mas sua
imagem é prejudicada por abordagens generalistas por parte dos
veículos de comunicação de massa. Os receptores aceitam um padrão
superficial da mídia e estereótipos são tomados como verdade pela
sociedade. Com isso, restringe-se a cultura do hip-hop às
suas origens na periferia, o que reforça preconceitos relacionados
aos grupos marginalizados em razão de suas vestimentas e pela
maneira como os cantores de rap e os dançarinos de breaking
são vistos.
O
jamaicano Clive Campbell, conhecido como DJ Kool Herc, sua irmã
Cindy e o estadunidense Afrika Bambaataa são considerados os
fundadores do movimento hip-hop,
ao lado de outros músicos, grafiteiros e breakers,
gerando os chamados elementos do universo desse gênero. Santos
(2017) afirma que os elementos do hip-hop
são essenciais para a definição
do significado e do alcance dessa manifestação cultural. Segundo a
autora, tais elementos podem ser assim definidos:
1.
DJ (disc jockey) – responsável pela base
instrumental. O DJ utiliza ferramentas tecnológicas para produzir a
base da música do hip-hop, como picapes (os antigos
toca-discos), o mixer para realizar manobras e sintetizadores.
2.
MC (mestre de cerimônias) – responsável pela condução
do som e da festa. Assume o controle do microfone e agita o público.
3.
Grafite – (ou graffiti , como preferem os grafiteiros) são desenhos e escritas feitos em muros.
4.
Rap – gênero musical.
5.
Gíria – dialeto da periferia contido nas letras das
músicas, nos muros e no corpo.
6.
Beatboxing – são os DJs criam o som usando a
boca como instrumento.
7.
Streetball – o basquete de rua é um tema que
integra o universo hip-hop por meio da vestimenta de seus
praticantes (camisas largas), do local onde os movimentos são
ensaiados (ruas e parques) e da trilha sonora presente nas partidas
(rap). Desde 2021, o streetball é modalidade olímpica.
8.
Literatura marginal – gênero literário que apresenta o
cotidiano da periferia por meio de autores e autoras periféricos e,
na sua maioria, do universo hip-hop. A literatura marginal
brasileira tem como um de seus principais representantes o rapper
Ferréz, premiado autor em festivais internacionais e nacionais
com sua escrita contestadora.
9.
Breaking –
expressão corporal do hip-hop
representado por b.boy
e b.girl.
No Brasil, o hip-hop chegou
por intermédio do cinema, com a exibição dos filmes Breakin’
(dir. Joel Silberg, 1984, 90 min) e
Beat Street (A
loucura do ritmo; dir. Stan Lathan, 1984, 105 min).
Os primeiros integrantes do hip-hop
assistiram aos filmes em 1985 e
começaram a reproduzir os movimentos nas praças públicas dos
centros das cidades de São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre e
Salvador, agregando pessoas e ensinando
uns aos outros.
Os
elementos culturais das danças urbanas
No
final dos anos 1960, o estadunidense James Brown (1933-2006) criou um
ritmo que influenciou a dança de rua: o soul.
Mais tarde, o funk,
a música disco e
o rap se
somaram ao movimento hip-hop.
Ele foi o responsável por disseminar uma atitude, uma forma de ser,
de se vestir, de dançar no palco de maneira solta, que permitia a
criação e a execução de passos de dança, possibilitando a
qualquer pessoa tentar refazê-los.
A
ascensão do universo hip-hop propiciou o surgimento e
a veiculação da dança urbana. Porém, a denominação “danças
urbanas” só ganhou projeção a partir da década de 1980, com o
início do advento da globalização. Outra denominação adotada
pelos praticantes é street dance, ou dança de rua, explicada
em parte pela origem e em parte por sua informalidade e ser praticada
fora das academias de dança.
Há
danças urbanas estadunidenses com diferentes estilos de vestimenta,
música e atitudes. São elas: Funk Boogaloo , Robot ,
Zig-Zag , Locking , Crossover Locking , Popping ,
Punking , Jacking , Rocking , B. Boying ,
Freestyle , House Dance , Clowning e Krump .
Entretanto,
as danças urbanas trazem um conceito mais amplo, criado e difundido
nas periferias dos centros urbanos, sem se limitar àquelas
provenientes dos Estados Unidos. Nesse gênero se inclui, por
exemplo, a jamaicana Dance Hall. Existem várias técnicas a
serem praticadas no contexto das danças urbanas.
Na
cultura brasileira, há diferentes ritmos presentes em todo o
território nacional, apreciados no país e em outros lugares do
mundo. Nos
gêneros musicais mais utilizados para dançar o Hip-Hop
Dance, eles
combinam a musicalidade com o ritmo mais dançante, a harmonia e a
vivacidade, tão
necessárias para esse tipo de dança, como,
o
-
Pop (Estados Unidos, 1950): é eclético e agrega
diferentes gestos e movimentos mais dançantes e de grande apelo
comercial. Exemplos: Beyoncé e Anitta.
-
Funk carioca (Brasil, 1980): tem o mesmo
nome de um gênero originário dos Estados Unidos (funk), mas
ganhou características próprias nos morros cariocas e provoca muita
polêmica em razão de suas letras. Exemplos: Ludmilla e MC Kevin.
-
R&B (rhythm and blues): gênero estadunidense
com fortes ramificações na diáspora africana e influência de soul
music. Exemplo: Alycia Keys.
-
Rap (fim dos anos 1970): tornou-se um dos
principais gêneros de resistência e denúncia das periferias em
todo o mundo. Exemplos: Racionais MC‘s e MV Bill.
-
Hip-hop dance/Hip-hop freestyle –
movimentos mais livres, sem muitas poses e acrobacias (sem
referências ao local de origem). Principais colaboradores são
Buddha Stretch e Scoob.
-
Passinho – movimentos rápidos com as pernas e o quadril.
Criado nas comunidades da cidade do Rio de Janeiro, ganhou
visibilidade na mídia e, desde 2018, é patrimônio cultural do
município.
-
K-Pop (Coreia
do Sul): caracteriza-se por letras românticas e uma grande variedade
de ritmos e elementos audiovisuais. Exemplo: grupo BTS.
Referência
bibliográfica:
OKIMURA-KERR,
Tiemi; ULASOWICZ, Carla;
MERIDA,
Fernanda
Vieira (et
al). Universo
Hip
Hop.
Se liga na Educação Física, 7º ano: manual do professor. 1º ed.
São Paulo: Moderna, 2022. Pg. 40 a
53.
--> Vídeo 1: Perfil Aprendi lá, autor professor Wagner - título: DANÇAS URBANAS - Streete Dance - O que são?
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